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Nossos tipos de amores
Rossana Brasil Kopf14 Jun 2008 - 15h04min
Os gregos antigos foram mestres em analisar os vários tipos de amores. Eles tinham mais de dez palavras para distinguir diferentes tipos. O psicólogo John Alan Lee reduziu estas categorias sobrepostas a seis, mas, para mim, elas parecem ser mesclas diferentes dos mesmos três circuitos básicos do cérebro: a luxúria, o amor romântico e a ligação. O mais celebrado é Eros, ou o amor apaixonado, erótico, prazeroso, cheio de energia por um parceiro especial. Acho que o Eros é uma combinação da luxúria com o amor romântico. A mania é o amor obsessivo, ciumento, possessivo e dependente, esse foi o amor ensinado por nossas culturas e tradições, é aquele tipo de amor que você somente pensa que ama quando sofre, porque não fomos educadas a amar sem receber nada em troca, não fomos apresentadas a amar sem sermos livres. A maioria das pessoas é imensamente obsessiva, ilógica e possessiva quando ama apaixonadamente. Ludus (que rima com Brutus) é a palavra latina para o jogo ou brincadeira. É divertido, sem compromisso e desprendido. Esses amantes podem amar mais de uma pessoa de cada vez. Para eles, o amor é um teatro, uma forma de arte. O ludus parece ser a variação de luxúria branda, combinada com a diversão e a frivolidade. Interessante, notarmos que na nossa sociedade machista somente o homem tem esse direito - tipo o homem pode porque é macho, forte; a mulher não pode porque logo é chamada de vadia, vagabunda. O storge (que combina com "mais alegre") é o amor companheiro, afetuoso, fraterno e amistoso, uma amizade profunda especial que carece de uma exibição da emoção. Para mim o storge é apenas uma forma de ligação. Ágape é o amor suave, altruísta, zeloso, totalmente dedicado, com freqüência espiritual, logicamente outra forma de ligação. Estes amantes consideram seus sentimentos um dever, e não uma paixão. Alguns, até estão dispostos a desistir do relacionamento quando é melhor para o amado, daí eles se renderão de um bom grado a um rival. Por fim, há o pragma, o amor baseado na compatibilidade e no bom senso: o amor pragmático. Este é o amor de listas de compras: os amantes pragmáticos marcam os pontos, eles procuram pela vantagens do relacionamento, tanto quanto pelas falhas. E estes homens e mulheres não são movidos por sacrifício ou emoção excessivos. Para eles, a amizade é o cerne do relacionamento. Não considero o pragma uma forma de amor. Segundo Sternberg a divisão do amor tem três ingredientes básicos: a paixão, que inclui o romance; a atração física e o desejo sexual. Para Sternberg, o fascínio é composto somente de paixão. Para mim, no meu entendimento, o amor romântico é a paixão mais intimidade. O amor camarada tem intimidade e compromisso, mas é destituído da paixão. O amor vazio tem apenas o compromisso, passa-se pelos gestos de amar, mas só os sentimentos de compromisso sustentam o relacionamento. Quando você gosta de alguém, esse gostar é baseado na intimidade, não se sente paixão nem compromisso, e o amor insensato é com freqüência cheio de paixão e compromisso, mas carece da coisa principal que se chama intimidade. Para as pessoas que não sabem amar, acham que o ciúme nutre o amor romântico, por isso acontecem tantos crimes passionais. Poderíamos apenas amar, sem cobrarmos a exclusividade de sermos amadas ou amados. ROSSANA BRASIL KOPF Vice-Presidente da Comissão da Mulher OAB/CE. Advogada do Corpo Freudiano de Fortaleza
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
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