Rossana Brasil
Mãe é...
Rossana Brasil Kopf
10/05/2008 01:51
Não foi descaramento, Nela não havia maldade. Apenas impulsos, arroubos, Sintomas da pouca idade. Ovelha negra era agora Na boca da sociedade Sua barriga crescia, Seu vestido encurtava, Sua cintura antes fina, Dia a dia engrossava, E o filho feito a dois Sozinha ela carregava. Seguiu firme sua sina Carregando barriga e dor. Lembrava da mãe de Cristo Que pelo seu filho lutou. E entregava seu destino Nas mãos do redentor. Em nenhum momento, Seu ato a envergonhou. Com o nariz empinado, A caminhada continuou. Segurou firme nos braços, O que o ventre lhe ofertou. Boa mãe é com certeza, E a outro filho deu a luz. Continua mãe solteira, Sem achar que uma cruz. Sem dizer amém as regras Que a sociedade produz. Apontada como exemplo, De mãe bem sucedida, Pelos que antigamente A chamavam de perdida. Ela sorri ironicamente Das voltas que dá a vida.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
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