domingo, 1 de fevereiro de 2009

RICARDO GUILHERME PARA ROSSANA.....LINDOOOOOOOOOOOO


De RG para ROSSANA

Ex-aquela

texto de Ricardo Guilherme

A dona das dunas sempre se danava a andar por aí como se lá longe fosse lá acolá. No seu vilarejo banhado de sal sossegava somente uns tantos de tempo mas logo intempestiva e tão movediça quanto a aragem na areia desses montes já se desesperava em novamente migrar para o desconhecido dalguma outra nesga de praia.
Por certo a errante não sabia em que chão da beira-mar lhe havia sido enterrado o umbigo. Talvez por isso vagasse aventurando-se a assuntar os ventos, tramando fartura de destinos.
Arengas diziam que a absoluta vivia a esmo pelas manhãs e tardes a debandar e no breu das noites a demandar quem lhe abrisse as portas e as pernas.
Nem lhe doía a chacota. Ia indo, inda mais afoita. Até que um dia um tal pescador se intrigou com a arisca andarilha e suas andanças: por que aquela quer aqueles distantes? Por que não se enraíza nesse povoado já seu, de nascença? Por que se redestina, longínqua, em meio a pessoas e paisagens que estréiam em seu olhar? Por que, ao invés de, não inaugura cá por perto uma solidão de dueto? E por que não mais eu, para esse nós-dois frondoso dar sombra e fruto?
Ficou o praiano aplainando as arestas desses por quês e quando a viajante veio de visita à vila que a viu nascer achegou-se à visitante aventando chamego. Pois não é que a doninha daninha de dantes se domesticou? Desbravar quis mais não. Apegou-se a esse um-pro-outro e abraçando-se a ele consentiu em abrandar dentro de si a brabeza da preamar.
Tornou-se toda em uma personalíssima outra. Não mais ir e vir; agora tão-só ser e estar e de tardinha, na orla, cabeça pendida, pensar no barco desprovido de porto do tripulante que atravessa uma jornada de sol molhado de maresia à mercê das marés. Ávida por sua volta, a ex-aquela, com as mãos sobre o ventre, imagina que, assim como em si, também na marinha linha do horizonte irrompe uma curva e que bem dentro dela, sobre as ondas, o barqueiro por quem ela espera arremessa e faz mergulhar a rede para pescar, além de peixes, o seu umbigo submerso nas regiões mais abissais da imensidão das águas atlânticas.

janeiro - 2009
para Rossana Brasil (della amore mio)
Postado por violencia nunca mais às 10:49 0 comentários

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